Antonio Muñoz-Sanchez

 

 

Antonio Muñoz Sánchez (Astúrias, 1971) é investigador de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Doutorou-se em História pelo Instituto Universitário Europeu de Florença com uma tese sobre o apoio da social-democracia alemã ao socialismo espanhol durante o franquismo e a transição democrática, que foi publicada em 2012 (Barcelona, RBA). Os seus trabalhos inciden na história das relações entre a Alemanha e a Península Ibérica durante a Guerra Fria. Em particular, analisa a política oficial da República Federal para com Portugal e Espanha, os contactos entre movimentos socialistas e a emigração laboral. Tem trabalhado como arquivista e museologista.

O seu actual projecto de investigação pós-doutoral tem como objetivo o estudo das relações políticas entre a República Federal e Portugal/Espanha nos anos sessenta e setenta do século passado. Parte da hipótese de que a estratégia alemã face às ditaduras ibéricas se baseava no mesmo princípio que inspirou a ostpolitik de Willy Brandt. Ou seja, a convicção de que estreitar os laços entre o Ocidente e Portugal/Espanha era positivo porque não apenas não fortalecia a Salazar e Franco, mas estimulava a liberalização dos seus regimes. Esta atitude pragmática perante dois odiosos ditadores nunca foi formulada públicamente pelo governo de Bona para evitar críticas por parte da opinião pública de esquerdas. A investigação aqui desenvolvida quer explicar esta südpolitik, apresentando-a como mais uma face da política de détente europeia promovida pelos social-democratas alemães naquela época.

Todavia, tal como na Europa Oriental em 1989 e no Norte de África em 2011, a evolução da política Ibérica ultrapassou todas as previsões sobre a ocorrência de um processo lento e calmo de transição. Aliás, a Revolução dos Cravos pôs mesmo em risco o statu quo europeu, forçando assim a Alemanha Ocidental a traçar uma nova estratégia que pretendia, por um lado, « estabilizar » Portugal e, por outro, evitar a emergência de um caos político em Espanha depois da morte de Franco. Um factor-chave desta « solução de emergência » para a Península Ibérica foi o fortalecimento dos partidos não comunistas. Nesta análise da influência da Alemanha Ocidental sobre os processos de democratização ibéricos, a nossa investigação centra-se no apoio do Partido Social Democrata Alemão e da Fundação Friedrich Ebert ao Partido Socialista de Mário Soares e ao Partido Socialista Obrero Español de Felipe González.

Mail: antonio.sanchez@ics.ulisboa.pt 

Web

 

46total visits,1visits today

Laisser un commentaire

Votre adresse de messagerie ne sera pas publiée.